11 de fevereiro de 2026
Veja resumo da notícia
Os preços dos imóveis residenciais no Brasil seguiram em alta em 2025, com crescimento de 6,52% no valor médio (Índice FipeZap). A alta superou a inflação de 4,26%, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Para 2026, a expectativa de especialistas é que esta tendência se mantenha, marcando o quinto ano seguido com valores subindo acima da inflação.
Capitais como Salvador (16,25%), João Pessoa (15,13%) e Vitória (15,11%) registraram as maiores altas no ano passado, segundo pesquisa Fipezap. Já as capitais Aracaju (2,79%), Teresina (2,80%) e Rio de Janeiro (3,13%) tiveram avanços menores. São Paulo, por sua vez, apresentou alta de 4,56% nos preços de casas e apartamentos no ano passado, marcando sua posição como maior mercado imobiliário do país.
Fatores que impulsionaram o mercado
A valorização registrada em 2025 foi sustentada por fatores como desemprego em baixa e aumento da massa salarial, além da expansão do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). O programa passou a atender um maior número de famílias. Somado à ele, outros programas estaduais de auxílio – como cheques para complementação de entrada – também estimularam as vendas.
Segundo Alison Oliveira, coordenador do Índice FipeZap, apesar da política de juros elevados, que dificultou o acesso ao crédito fora do MCMV, esses estímulos foram suficientes para sustentar o mercado. “Foi um cenário suficiente para sustentar a demanda e colocar os preços dos imóveis acima da inflação”, explicou ao Estadão.
Outros fatores contribuíram para a aceleração dos preços, como os custos de construção, que subiram 6,41% em 2025 segundo o Índice Nacional de Custos da Construção (INCC), e também da mão de obra.
“O custo da mão de obra pressionou a produção de moradias”, afirmou o economista Alberto Ajzental, da Fundação Getulio Vargas (FGV). No caso da mão de obra, o avanço foi de 9,46%, refletindo a falta de trabalhadores e o aumento dos salários no setor. E segundo Ajzental, com o mercado aquecido, a tendência é que a mão de obra continue cara.
O especialista também ressalta que a falta de crédito pelos bancos obrigou construtoras a buscar financiamento no mercado de capitais, aumentando ainda mais os custos repassados ao consumidor. “Quem compra um imóvel precisa se lembrar que está pagando pelo terreno, pela edificação e pelo financiamento que a construtora tomou. E tudo isso ficou mais caro”, ressaltou Ajzental.
Tendências para 2026
Para 2026, a projeção é de valorização crescente, com aumento de preços de 1 a 2 pontos percentuais acima da inflação, aponta Alison Oliveira do Fipezap. Além disso, a tendência de redução da Selic – taxa básica de juros da economia – pelo Banco Central deve beneficiar o financiamento imobiliário, aumentando o acesso das famílias ao crédito.
“Se confirmado, isso vai diminuir o valor da parcela. Aí, mais famílias vão conseguir comprar a casa própria”, afirmou Oliveira. A queda dos juros também deve aliviar os custos para as construtoras, com potencial para desacelerar o crescimento dos preços no médio prazo, ponderou Ajzental.
Embora o cenário para 2026 permaneça positivo para o setor, especialistas concordam que ainda estará longe de grandes altas. “Não será um boom, mas será relevante”, concluiu Ajzental.
*Com informações de Estadão